Histórias

Cargill: Uma história sobre como dar voz a diversidade através dos grupos de afinidade

Tarsiane Diniz

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Comitês, Grupos de Afinidade e as estratégias de D&I

Não é de hoje que a diversidade, equidade e inclusão têm sido tratadas como um tema estratégico dentro das organizações nos mais diversos setores. O tema se tornou vital para empresas que querem continuar sendo relevantes e produtivas no futuro. E este fato é corroborado por pesquisas globais e regionais, como a realizada pela consultoria Mckinsey que revela que empresas que investem em diversidade de gênero, raça e orientação sexual tendem a superar a performance financeira das não diversas.

Mas como tornar o tema diversidade uma prioridade na companhia em meio a tantas mudanças? Como ultrapassar a superfície do tema e sensibilizar toda a empresa da importância das ações afirmativas em relação ao tema?

A estruturação de um comitê de diversidade, composta ou não por voluntários, tem sido um importante primeiro passo para acompanhar e impulsionar a realização de todas estas mudanças é fundamental na criação de uma estrutura de acolhimento, permanência e representatividade nas demandas no ambiente de trabalho.

Para entender melhor o papel dos grupos de afinidade e a importância do comitê de diversidade para as empresas que conversei com a Thays Quadros, Latam South Additives Consultant da Cargill. Ela divide conosco um pouco da sua experiência e também sobre o poder de ser uma voz importante no tema D&I dentro da empresa.

1. Para começar, conta para gente um pouco da sua história Thays.

Eu estou na Cargill a quatro anos, vim da área acadêmica. Eu sempre tive muita força da família, eu sou filha de mãe solteira e manicure, minha avó era analfabeta. Então a minha mãe via a educação como único formato da gente mudar de vida. Eu tinha certeza que ia para a área acadêmica, então eu fiz mestrado, doutorado e pós-doutorado, e, no fim, estou no mundo corporativo. Hoje eu sou consultora de aditivos, na parte de produção animal.

Quando eu entrei na empresa já existiam as redes, mas faltava uma pessoa para ser representante do AFROCARGILL no negócio de nutrição animal da Cargill e eu fui convidada pelo diretor para ser essa pessoa. Confesso que, no início, eu não sabia bem qual era o meu papel e o que eu deveria fazer. Eu aprendi a pouco tempo, por exemplo, que pessoas negras não podem falar sobre privilégio, elas falam em conseguir acessar os direitos, que deveriam ser básicos para todos.

Eu só entendi quando eu fui estudar e aprender o que acontece ao meu redor, e assim eu vi uma oportunidade de fazer a diferença. Porque, analisando todos os espaços que já frequentei, não entendia o porque de não ter negros nesses espaços. Então vi como uma oportunidade, aproveitar o convite da Cargill para fomentar ainda mais pessoas negras no espaço onde eu estou hoje. Hoje é o que eu faço, um trabalho voluntário que eu equilíbrio para não interferir no meu trabalho que eu fui contratada para fazer.

2. Você comentou que na Cargill existem as redes que funcionam como comitês de diversidade. Explica melhor como funciona essa estrutura?

O meu papel é falar como pessoa negra, porque por mais que as pessoas imagem o que é, possa ser ou deveria ser, nunca uma pessoa branca vai poder falar o que é realmente racismo. E nós negros temos um gasto de energia muito grande, porque todo o tempo, nós somos olhados e julgados, nós sofremos racismo todos os dias.

E esse é compromisso com a minha alma, de usar o lugar onde eu estou para trazer meus pares mais para perto. Eu sofri muito tempo, nos lugares que eu frequentava, escola, curso de inglês, universidade, mestrado, doutorado, pós-doutorado, intercâmbio nos EUA, por não ver pessoas como eu nesses espaços. Eu não quero mais passar por isso.

3. Qual o seu papel dentro da rede?

O meu papel é falar como pessoa negra, porque por mais que as pessoas imagem o que é, possa ser ou deveria ser, nunca uma pessoa branca vai poder falar o que é realmente racismo. E nós negros temos um gasto de energia muito grande, porque todo o tempo, nós somos olhados e julgados, nós sofremos racismo todos os dias.

E esse é compromisso com a minha alma, de usar o lugar onde eu estou para trazer meus pares mais para perto. Eu sofri muito tempo, nos lugares que eu frequentava, escola, curso de inglês, universidade, mestrado, doutorado, pós-doutorado, intercâmbio nos EUA, por não ver pessoas como eu nesses espaços. Eu não quero mais passar por isso.

4. De que forma a Cargill se alimenta desses insights? O quanto é possível criar estratégias e ações concretas de mudança?

A própria estrutura nos conecta com toda empresa, temos um sponsor da liderança para dar voz e agilizar os processos. E, além das redes, dentro da empresa existe um comitê de diversidade, com reuniões mensais de alinhamento. Então o Sponsor tem um papel de levar todos esses alinhamentos para as equipes, para que as ações sejam aplicadas.

Um ponto importante é que nós estamos sempre alinhados com as diretrizes globais, com projetos que vem da Cargill Global para serem disseminados dentro da Cargill Brasil. O objetivo é ter um aumento de pessoas negras, de mulheres na liderança dentro da companhia.

E as redes existem como um apoio, para que as ações aconteçam de fato. Mas, já se tem um direcionamento da empresa enquanto compromisso para aumentar a diversidade. Então nós temos as diretrizes globais, as redes e o comitê de diversidade trabalhando juntos nas estratégias e garantindo que as mudanças aconteçam.

5. Pensando em outras empresas, como eles podem se beneficiar dos grupos de afinidade?

Eu acredito em dois caminhos, um deles por exemplo é o que o Marcio da Bayer faz, ele é um lider negro e que tem a visão ampla da situação e do que isso significa, sendo assim ele consegue trazer mais visibilidade para o assunto e agilidade. É diferente quando temos uma pessoa negra na frente, porque ela vive isso e fala com propriedade do assunto.

O outro caminho, um modelo que temos na Cargill hoje e que eu acredito, que é ter sponsors para cada rede. Porque quem muda mesmo é a liderança. Porque, nós enquanto disseminadores de conhecimento, nós temos um alcance limitado e pouca autonomia. Então ter um líder proporciona uma maior agilidade na mudança de mindset das empresas.

6. E com ações? Quais melhores práticas você pode compartilhar?

As ações da rede são pautadas em duas frentes, educação e metas bem definidas. O que eu posso compartilhar são algumas das ações dentro desses dois pilares.

  • Educação: Com treinamentos bimestrais, que eu lidero aqui dentro da Cargill, e nós divulgamos para toda a Cargill Brasil e as pessoas se inscrevem. Existe um esforço para estudar e garantir que temos todas as informações, com um conhecimento histórico muito grande para falar de determinados assuntos, nomenclaturas, explicar o por que de algumas coisas. E trazer confiabilidade para essas informações.

Mas o treinamento, na verdade, é uma forma de trazer as pessoas para a conversa. Pensando em mulheres, por exemplo, todos nós temos contato com mulheres, mãe, irmã, esposa, enfim, a conexão é mais rápida, mas quando falamos sobre as questões raciais, isso não é verdade. Você só entende como o racismo funciona quando você é negro ou quando um negro, te explica e te mostra o que ele passa. Logo, o trabalho é diferente, por isso que o treinamento é importante, levar conhecimento através de dados, fatos, e sobre tudo a empatia para melhor entendimento.

  • Compromisso: A partir do momento que a pessoa participa de um treinamento, ela passa a fazer parte daquele grupo e assina um compromisso de que, a partir daquele momento, ela vai lidar de formas diferentes com questões de diversidade e inclusão. Sejam comentários, ações, etc. e a empresa cobra que as atitudes do colaborador devem mudar, porque ele já tem conhecimento sobre o assunto.

“Não ser racista é um movimento. Primeiro, porque já vivemos num país racista. Então é um movimento, uma mudança de palavras e termos que você não pode usar, atitudes que não pode ter. E atitudes que deve ter quando presenciar uma situação de racismo”

  • Metas: Nós temos metas a serem atingidas, seja com o aumento de pessoas negras dentro da empresa, mulheres em cargos de liderança, ações para aumento de pessoas LGBTQIA+, PcD, etc. Para isso, apoiamos a empresa fazendo uma análise de: Onde estão essas pessoas, como contratá-las, se vamos ou não ter uma consultoria para nos ajudar. Dessa forma garantimos que eles tenham a melhor experiência desde o começo da sua jornada na Cargill.

Para essa segunda ação, nós contamos com visão da liderança, com um plano de ação para levar conhecimento e para que essa visão seja ainda mais ampla e faça cada vez mais sentido dentro da organização.

  • Espaço de fala: Em todas as reuniões de gestão, nós abrimos um espaço para falar de diversidade, independente de qual seja, de forma que o assunto continue sendo abordado e todos estejam sempre por dentro das novidades e do que faz sentido para o momento.

Tudo isso é importante, porque nós precisamos mudar as narrativas e mudá-las não é uma tarefa fácil. As pessoas estão acostumadas a pensar de determinadas formas. E eu, enquanto negra, muitas vezes me pego perguntando “onde estão os meus pares?”, e eu não gostaria mais de passar por determinadas situações ou ter que pensar assim. Portanto, falar sobre isso é um compromisso para que tenhamos um futuro cada vez mais inclusivo, diverso e com menos preconceito.

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