Insights & Estudos

Como se tornar um líder intercultural

Barbara Wang (PhD)

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How to become an intercultural leader

Na era digital do século 21, a principal vantagem competitiva da empresa global é, inevitavelmente, o conjunto de talentos provenientes de diversas culturas. Além disso, no mundo pós-pandemia, os negócios online fazem parte do “novo normal” da globalização, o que significa que o trabalho será, cada vez mais, realizado por pessoas de diferentes nacionalidades, etnias, valores e crenças.

Segundo o antropólogo norte-americano Edward Hall, “a cultura esconde mais do que revela e, estranhamente, aquilo que esconde, ela esconde melhor de seus próprios participantes”. Isso vai na mesma linha do que diz o filósofo chinês Zhuangzi: “a água é a última coisa que um peixe nota”. Não é de surpreender que a “cultura” seja a última coisa que os seres humanos notam.

Parece que “todos os caminhos levam a Roma”, mas cada caminho é, muitas vezes, um beco sem saída. Portanto, liderar pessoas de diversas culturas é mais crucial e complexo do que nunca. Nós nos desenvolvemos em nossa própria “água”, que contém diferentes substâncias culturais.

Os ocidentais vivem em um mundo de dicotomia, polarizado e avesso a contradições; os orientais vivem em um mundo de harmonia, paradoxal, integrado, holístico e repleto de contradições. A decisão entre seguir o caminho ocidental tradicional ou explorar outra trilha depende de quão culturalmente ágeis os líderes empresariais podem ser para aprender as melhores práticas das filosofias ocidentais e orientais.

Portanto, para atrair e reter os talentos necessários para o crescimento sustentável no mundo multicultural de hoje, os líderes devem se empenhar para melhorar a consciência e a sensibilidade transculturais no local de trabalho, criar equipes multiculturais e desenvolver a capacidade intercultural. A liderança intercultural é essencial para cultivar a “água” da diversidade e da inclusão.

O que é liderança intercultural?

Assim como para a liderança, não existe uma definição para a liderança intercultural. Paula Schriefer resumiu claramente a diferença entre comunicação multicultural, intercultural e transcultural: “Multicultural se refere a uma sociedade que contém vários grupos culturais ou étnicos. As pessoas vivem lado a lado, mas cada grupo cultural não tem necessariamente interações envolventes.

Transcultural trata da comparação de diferentes culturas; frequentemente, uma cultura é considerada “a norma” e todas as outras são comparadas ou contrastadas com a cultura dominante. Intercultural descreve comunidades nas quais há um profundo entendimento e respeito por todas as culturas, e ninguém fica igual porque todos aprendem uns com os outros e crescem juntos”.

Nesse contexto, liderança intercultural é a capacidade de influenciar e envolver seguidores provenientes de todas as culturas. Não há dúvida de que, para viabilizarem equipes multiculturais de alto desempenho, os líderes precisam conduzir as equipes ao longo de três estágios de mudança cultural: 1) transcultural, 2) multicultural, 3) intercultural.

Como se tornar um líder intercultural?

Para se tornar um líder intercultural, começa-se por aumentar a autoconsciência da inteligência cultural (QC, de “quociente cultural”) e do perfil cultural (PC). Pessoas com QC alto são capazes de aprender com interações com os outros, de buscar e desenvolver maneiras de entender e de reagir às pessoas ao seu redor.

Christopher Earley e Soon Ang identificaram três características do QC de uma pessoa:

  1. Cognição: “Sei o que está acontecendo?” Entender que está havendo diferenças culturais em determinada situação;

  2. Motivação: “Estou motivado a agir?” Estar preparado para se identificar e lidar com as pessoas, apesar das dificuldades impostas pelas diferenças culturais;

  3. Comportamento: “Sou capaz de reagir de forma adequada e eficaz?” Aprender a prestar atenção a pessoas de todas as culturas e a se conectar com elas.

Richard Lewis desenvolveu um modelo de Perfil Cultural para classificar culturas individuais em três grupos principais:

  1. Cultura ativa linear, uma cultura na qual as pessoas são planejadoras altamente organizadas e voltadas às tarefas e preferem fazer uma coisa por vez na sequência indicada em sua agenda;

  2. Cultura multiativa, uma cultura extrovertida, voltada às pessoas, e cujos membros tendem a fazer muitas coisas ao mesmo tempo, frequentemente em ordem não planejada;

  3. Cultura reativa, uma cultura introvertida, voltada ao respeito, na qual as pessoas são relutantes em iniciar uma ação firme ou discussão opinativa, preferindo ouvir e determinar a posição do outro e depois reagir a ela e formular a sua própria posição.

Entendendo o QC e o PC, os líderes ficam preparados para ser mais flexíveis e adaptáveis ao encontrarem uma nova cultura e para, então, liderar tranquilamente uma equipe multicultural.

Como existem possibilidades ilimitadas de mal-entendidos culturais, qualquer comportamento que você possa imaginar em uma cultura será diferente em termos de significado ou contexto em outra parte do mundo. Os líderes precisam tomar medidas no sentido de desenvolver os seguintes comportamentos e mentalidade entre os membros das equipes:

  • Ter cuidado com nossas generalizações sobre a cultura

  • Reconhecer que o pensamento estereotipado é uma maneira de dar sentido ao mundo

  • Comparar outras culturas, e não as julgar

  • Dar feedback descritivo uns aos outros, ou seja, informações específicas sobre o que precisa ser feito

  • Entender uns aos outros claramente com relação a valores e preferências pessoais

  • Esclarecer a norma sobre o que você deve fazer

  • Apresentar objetivos e funções com muita clareza

  • Defini-los de maneiras que tenham significado para cada um

  • Usar a diversidade como uma vantagem

De acordo com Edgar Schein, um renomado estudioso da cultura organizacional, a cultura é uma força poderosa; se não gerenciamos a cultura, a cultura nos gerencia. Quer você goste ou não, o mundo está ficando mais global, e isso exige que todos os líderes entendam, se adaptem, sobrevivam e prosperem melhorando as habilidades de liderança intercultural.

Barbara Wang

Professor of Leadership and Management

Barbara Wang is a Professor of Leadership and Management at Hult International Business School. Her research interests are cross-cultural leadership & management. She has designed and delivered leadership development programs for multinational companies such as ABB, Volvo, Philips, Continental, Sinopec, China Post, Bank of China, and Air China.

Prior to joining Ashridge in 2005 then Hult, Barbara was a Vice President for the Western Management Institute of Beijing. Her commercial experience extends to working for multinational companies in China where she was the Retail Operations Director for Louis Vuitton group and the Global Accounts Director for DHL.

Barbara holds a BA, an MBA, a PhD, and she is qualified in many leadership psychometric instruments. Barbara’s primary publication includes the book Guanxi in the Western Context: Intra-Firm Group Dynamics and Expatriate Adjustment (Palgrave Macmillan, 2019) and Chinese Leadership (Palgrave Macmillan, 2011).

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Barbara Wang

Barbara Wang is a Professor of Leadership and Management at Hult International Business School. Her research interests are cross-cultural leadership & management. She has designed and delivered leadership development programs for multinational companies such as ABB, Volvo, Philips, Continental, Sinopec, China Post, Bank of China, and Air China. Prior to joining Ashridge in 2005 then Hult, Barbara was a Vice President for the Western Management Institute of Beijing. Her commercial experience extends to working for multinational companies in China where she was the Retail Operations Director for Louis Vuitton group and the Global Accounts Director for DHL. Barbara holds a BA, an MBA, a PhD, and she is qualified in many leadership psychometric instruments. Barbara’s primary publication includes the book Guanxi in the Western Context: Intra-Firm Group Dynamics and Expatriate Adjustment (Palgrave Macmillan, 2019) and Chinese Leadership (Palgrave Macmillan, 2011).

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